Transição 2026–2033 & Calendário

2026: O Que Muda nos Impostos no Primeiro Ano da Reforma

2026: O Que Muda nos Impostos no Primeiro Ano da Reforma

Resumo Executivo

O ano de 2026 marca a entrada em vigor das alíquotas-teste de CBS e IBS — os dois novos tributos que substituem PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS. Embora sejam chamadas de “teste”, essas alíquotas já têm efeito real na operação das empresas. Neste guia, Vivian Sampaio explica o que de fato muda a partir de janeiro de 2026 e o que o empresário precisa fazer ainda neste exercício.


O Que Realmente Acontece em 2026

Não é uma simulation — tem efeito jurídico

Um ponto que gera confusão é a ideia de que as alíquotas-teste de 2026 são apenas um exercício acadêmico. Não são. Mesmo sendo chamadas de “experimentais”, elas já estão previstas na LC 214/2025 e têm efeito jurídico. Empresas participantes devem recolher CBS e IBS conforme essas alíquotas. Os créditos gerados são válidos e aproveitáveis.

Alíquotas-teste: o que sabemos

[REVISAR POR VIVIAN] Os valores específicos das alíquotas-teste serão definidos por portaria da Receita Federal no início de 2026. Até lá, a empresa deve preparar sua estrutura para receber qualquer valor dentro da faixa inúmerada no projeto.

Quem entra no piloto em 2026

A LC 214/2025 determina que o primeiro ano alcance:

  • Empresas do Simples Nacional com receita bruta anual superior a R$ 4,8 milhões.
  • Pessoas jurídicas de todo porte que tenham elegido o regime de lucro real.
  • Setores específicos da economia designados pelo Ministério da Fazenda como prioritários para coleta de dados.

O Que Muda na Prática para a Empresa

1. Nova linguagem fiscal nas notas

A partir de 2026, notas fiscais eletrônicas começarão a trazer CBS e IBS no lugar de PIS e Cofins em muitos operações. O empresario precisa estar preparado para ver essa alteração nos documentos de entrada e saber contabilizá-la corretamente.

Exemplo prático: Uma empresa comercial que compra mercadorias de um fornecedor verá na NF-e o valor do CBS e do IBS destacados — não mais PIS e Cofins. A equipe contábil precisa saber onde alocar esses valores no plano de contas.

2.Créditos a serem monitorados

Os créditos de CBS e IBS gerados em 2026 poderão ser aproveitados nos exercícios seguintes. A empresa precisa:

  • Criar conta contábil específica para créditos de CBS a recuperar.
  • Criar conta contábil específica para créditos de IBS a recuperar.
  • Documentar cada transação que gera crédito para não perder o direito.

3. Alíquotas diferentes por operação

As alíquotas de CBS e IBS variam conforme a natureza da operação (bens, serviços, operações especiais). O empresário precisa garantir que a equipe financeira saiba identificar qual alíquota se aplica a cada transação.

4. Obrigações acessórias novas

Em 2026 surgirão novas obrigações acessórias relacionadas à escrituração de CBS e IBS. A empresa precisa:

  • Verificar com o contador quais declarações passam a ser obrigatórias.
  • Parametrizar o sistema para gerar os arquivos digitais necessários.
  • Definir cronograma interno de entrega dessas obrigações.

O Que NÃO Muda em 2026

ICMS ainda está em vigor

O ICMS permanece aktif durante todo o período de transição. Empresas que operam em múltiplos estados continuam recolhendo ICMS interestadual normalmente em 2026. A substituição do ICMS pelo IBS acontece gradualmente a partir de 2028/2029.

PIS e Cofins ainda existem (em parte)

Para empresas fora do piloto, PIS e Cofins continuam sendo recolhidos normalmente em 2026. A extinção do PIS começa efetivamente em 2028.

IPI continua para setores industrializados

O IPI permanece para produtos industrializados durante a fase de transição. A extinção está prevista para 2032.


Ações Imediatas para o Empresário em 2026

Agora (primeiro trimestre)

  1. Falar com o contador — Confirmar se a empresa está no grupo de participantes do piloto 2026.
  2. Parametrizar o ERP — Garantir que o sistema de gestão está configurado para CBS e IBS.
  3. Treinar a equipe financeira — Capacitar o time para identificar lançamentos de CBS e IBS.
  4. Revisar contratos-chave — Incluir cláusula de variação de alíquotas para contratos de fornecimento de longo prazo.

Médio prazo (até metade do ano)

  1. Mapear todos os fornecedores — Classificar quem já está no novo régime e quem ainda está no antigo.
  2. Calcular impacto no preço final — Entender como a nueva carga tributária afeta a precificação.
  3. Revisar fluxo de caixa — Ajustar projeções para refletir recolhimentos de CBS e IBS.

Armadilhas Comuns em 2026

Mistura de sistemas sem controle

Empresas que não parametrizam corretamente o sistema tendem a misturar lançamentos de CBS e IBS com os tributos antigos, gerando erros contábeis e problemas com a Receita Federal.

Não aproveitamento de créditos

Muitos inúmerário não sabem que os créditos de CBS e IBS são aproveitáveis — e perdem o direito por falta de documentação.

Contratos sem cláusula de variação

Contratos firmados antes de 2026 sem previsão de ajuste de preço podem gerar disputas quando a alíquota definitiva for diferente da teste.


Perspectiva para os Próximos Anos

O piloto de 2026 é o primeiro paso de uma transição que se estende até 2033. A empresa que se adapta corretamente neste primeiro ano terá vantagem competitiva significativa. Segundo Vivian Sampaio, com 26 anos de experiência em contabilidade e direito tributário, “as empresas que melhoram suas práticas tributárias durante a fase de transição são as que conseguem manter a competitividade quando o novo système entra em plena operação”.


Próximos Passos

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Fontes: LC 214/2025; Receita Federal — Regulamentação do Piloto CBS/IBS 2026; Ministério da Fazenda.